Saúde do Trabalhador


* Mortalidade em trabalhadores de curtume

Saúde vai investigar irregularidades em manipulação

O objetivo é fazer uma vistoria do curtume para verificar as causas da reação química

DA REDAÇÃO 01/02/2012 00h02
 
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Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado
Um dos feridos que foi socorrido e encaminhado ao hospital para receber tratamento
A Secretaria de Estado de Saúde (SES) vai enviar na quinta-feira (2), três fiscais, sendo dois da Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador e um da Vigilância Sanitária para Bataguassu. O objetivo é fazer uma vistoria docurtume para verificar as causas da reação e se houve irregularidades na manipulação dos componentes químicos.
Na manhã de ontem (31) devido à reação de uma substância ácida durante seu descarregamento em curtume anexo a um frigorífico no município de Bataguassu quatro pessoas morreram e 27 ficaram feridas.
Juntamente com os militares do Corpo de Bombeiros, equipes da Defesa Civil, P2R2 (Preparo, Prevenção, Resposta Rápida a Materiais Perigosos) e do Civitox, a SES realizou o atendimento e acompanhamento às vítimas. O local está isolado para a verificação das causas do incidente.









Eventos em Saúde do Trabalhador


I Congresso Baiano de Med do Trab





E por falar em Saúde do Trabalhador...






PERÍCIA MÉDICA: AVALIAÇÃO DA DOR

Autores: Marcos Leal Brioschi, Francisco Silva, Daniel Colman, Eduardo Adratt e Cristiane Laibida
Ilustração: Beto Soares/Estúdio Boom

Termografia infravermelha auxilia na verificação de síndrome dolorosa
As Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho, também denominados LER/DORT, abrangem diversas enfermidades, sendo mais conhecidas as tendinites, tenossinovites e epicondilites, que comprometem milhares de trabalhadores. Elas prejudicam o trabalhador no auge de sua produtividade e experiência profissional, com maior incidência na faixa etária de 30 a 40 anos, sendo as mulheres mais frequentemente acometidas. A abordagem preventiva é o meio ideal e deve incluir aspectos multifatoriais relacionados ao ambiente de trabalho, uma vez que estas afecções costumam estar associadas a riscos ergonômicos oriundos de movimentos repetitivos excessivos e posturas inadequadas.

Como são múltiplos os fatores envolvidos na etiologia das LER/DORT, existe um consenso de que uma avaliação biopsicossocial, a mais completa possível, é a forma mais adequada de tratar esta questão. No entanto, em certas ocasiões, mesmo com tratamento medicamentoso há situações de difícil julgamento quanto ao retorno ao trabalho, por uma queixa persistente de não melhora dos sintomas ou quando associados a outras comorbidades, como síndrome fibromiálgica. Esta avaliação é fundamental para a Previdência Social, pois auxilia na diferenciação entre fatores relacionados a ganhos secundários e à permanência da invalidez. O que torna imprescindível ao perito lançar mão de todos os recursos que os avanços médicos colocam a sua disposição. Partindo da necessidade de se estabelecer um diagnóstico diferencial entre LER/DORT, síndrome fibromiálgica e outras doenças reumatológicas, tem sido discutida a utilização de alguns parâmetros clínicos e exames complementares que concorrem para um diagnóstico mais preciso.

A termometria cutânea por termografia infravermelha é um método relativamente novo em perícia médica e tem contribuído na avaliação neuromusculoesquelética de pacientes com dores crônicas, auxiliando na identificação etiológica da dor, especialmente quando acometidos os tecidos moles.
 

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Aspectos psicossociais e desafios do retorno ao trabalho das vítimas de assédio moral
Psychosocial aspects and challenges of mobbing victims’ return to work
Débora Miriam Raab Glina1, Liliane Reis Teixeira2, Lys Esther Rocha3

 
RESUMO
Contexto: Retornar ao trabalho após o assédio moral é um problema de saúde ocupacional. Objetivo: Analisar a trajetória e percepções das vítimas de assédio moral no trabalho. Métodos: Pesquisa qualitativa com 13 casos atendidos no Serviço de Saúde Ocupacional do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil. Dados coletados em 2007 e 2008, por meio de 26 entrevistas semiestruturadas. Foi realizada uma análise do conteúdo das entrevistas. Resultados: Características sociodemográficas: 67% do sexo feminino, idades entre 29 e 55 anos, 94% caucasianos, 50% casados, 61% com filhos, 61,2% abaixo do nível universitário, 67% de São Paulo, 67% de organizações privadas, diferentes ramos de atividades econômicas e de postos de trabalho. Após 1 ano, 47% retornaram ao trabalho, 38% ainda estavam afastados e 15% foram demitidos. O retorno ao trabalho foi: na mesma empresa e durante a estabilidade (100%), no mesmo setor e cargo (50%), com tarefas diferentes (83%). O assédio moral diminuiu para 50%; 80% avaliaram o retorno ao trabalho negativamente; 50% enfrentaram obstáculos para continuar seus tratamentos de saúde; 100% tiveram consequências para a saúde, com afastamentos entre 6 meses e 5 anos e 50% com auxílio-doença acidentário. As principais atividades durante a doença foram: tratamentos de saúde, tarefas domésticas e permanência em casa (85%). Conclusões: As três situações – retorno ao trabalho, licença médica e demissão – foram avaliadas como negativas. As empresas parecem não possuir políticas e práticas antiassédio moral no trabalho. O período de licença médica foi envenenado pelo coping antecipatório. Os trabalhadores demitidos, ainda doentes, estavam enfrentando dificuldades econômicas.

Artigo completo: Revista ANAMT, volume 8, n. 2 - Dez 2010. Disponível em http://www.anamt.org.br/?id_materia=62.

Sugestão de leitura:

Capa revista brasileira vol 8 n.2