quinta-feira, 28 de julho de 2011

Você é o autor

Espaço destinado a quem desejar postar opiniões, pontos de vista e outras contribuições ao blog

Você é o autor 1: Laís Gonçalves Brasil



TERAPIA DA DIGNIDADE

 


Passeando pelos sites da web, por indicação da minha irmã, deparei-me com notícia que muito me interessou e me despertou à leitura. Doentes em estágio terminal fazem psicoterapia e se sentem valorizados pela família e ganham de volta sua identidade. Assim começou a manchete da notícia.
Prosseguindo na leitura, entendi que a Terapia da Dignidade, como assim é chamada pelo seu pioneiro Harvey Max Chochinov, é um diálogo terapêutico que ajuda pacientes em estado terminal a melhorar a qualidade de vida. Esses pacientes sentiram uma nova sensação de dignidade ao mudar a forma como eram vistos e valorizados por seus familiares. Chochinov, da Universidade de Manitoba, do Canadá, publicou a notícia a partir de suas pesquisas no periódico ‘The Lancet Oncology’.
O próprio autor define a Terapia da Dignidade como “uma breve psicoterapia individualizada criada para pessoas que se aproximam do final da vida”. Ele explica que o tratamento parece “acender uma luz na identidade do paciente”, já que as doenças terminais muitas vezes fazem o paciente se sentir como se tivesse perdido sua própria identidade, e utilidade. Ele complementa que este tipo de terapia vem ao encontro das necessidades do paciente de deixar algo deles para trás.
Parei na leitura nesse ponto e lembrei-me do livro do Dr. Dráuzio Varela, “Por um fio”. Tamanha é desesperança e a perda da dignidade e da utilidade como ser humano, desses pacientes. Tamanha é a finitude dos sonhos. Tamanho é o sofrimento pessoal e familiar. Quantas histórias foram contadas nesse livro que me deixaram tocadas pelo sofrimento que uma doença acarreta e como os maus ou bons tratos com esses doentes têm importantes consequências. E ainda, os estágios que esses pacientes atravessam no processo da doença se confluem com os estágios que atravessam no processo de morrer, como citados por Kluber-Ross (“Sobre a morte e o morrer”) e isso aprofunda a perda da dignidade. E a tudo isso se soma o “tapa na realidade” quando nada mais pode ser feito a não ser esperar. E essa espera pode ser cruel, extremamente massacrante, ou quem sabe, não!
 Essa intertextualidade toca um ponto frágil: humanização na saúde. Assunto que vem ganhando espaço nos hospitais e na mídia não por elogios, mas, muito mais, por intensas críticas.
Continuando, a terapia envolve um diálogo em torno de questões importantes para o paciente. Tais informações são gravadas em áudio, transcritas e editadas em uma narrativa compartilhada com o próprio paciente ou com pessoas queridas. “Os temas vão de informações biográficas a lições de vida, desejos, esperanças ou sonhos para as pessoas que eles estão prestes a deixar”, explica Chochinov.
No método da pesquisa, fez-se um estudo randomizado da terapia. Comparou-se um grupo de 108 pacientes em terapia da dignidade a dois outros grupos: um deles, com 111 pacientes em tratamento paliativo padrão (que busca trazer conforto) e outro, com 107 pessoas em terapia com foco no paciente (com ênfase no aqui e agora).
Apesar de não encontrarem diferenças nos níveis de angústia entre os três grupos no final do estudo, os pesquisadores detectaram diferenças na qualidade de vida, sensação de sentir-se útil para as pessoas queridas e melhora na sensação de dignidade. O grupo tratado com a terapia da dignidade alcançou melhores resultados que os outros dois grupos.
A terapia da dignidade foi mais eficaz no aprimoramento do bem-estar espiritual do que a terapia com foco no paciente, funcionando também melhor que o tratamento paliativo padrão na redução da depressão e da tristeza.
“Quando isso não acontece, as famílias sofrem”, explica Chochinov, ressaltando que a terapia da dignidade pode ajudar o paciente terminal a tornar sua morte algo mais fácil para seus entes queridos.
Com essa leitura, a gente pode até pensar que essa terapia deveria ser estendida não só aos pacientes em estado terminal, mas à sociedade como um todo. A todos aqueles que buscam uma vida, digamos assim, digna! Uma vida capaz de superar todos os ‘estados’ do inicial ao terminal. Capaz de atravessar todos os estágios de viver, e também de morrer, e todos os obstáculos que a vida impõe. Vamos todos, fazer a terapia da dignidade?

Notícia na íntegra:
http://saude.ig.com.br/bemestar/terapia+da+dignidade+ajuda+pacientes+terminais/n1597076504118.html   
[acesso em 24/07/2011].


Laís Gonçalves Brasil
Estudante de Medicina do 6º bloco, FACIME-UESPI.
Aluna da Professora Mirian Palha Dias.


E então, o que você acha de ser o próximo autor?

2 comentários:

  1. Muito bom o artigo, muito mesmo!
    Façamos todos a terapia da dignidade!E que não só em consultorios clínicos, mas no nosso dia a dia, com nossos familiares, amigos, e até mesmo com os "não amigos", porque não? (Pode ser feita assim, ou tem de ser em hospitais?) Tenho amigos que dizem que conversam com seus cães, e isso os faz se sentir melhor, mais dignos e úteis. Será isso a terapia da dignidade? Adorei esse assunto, e pretendo dar mais uma estudada sobre isso, quem sabe eu não serei uma autora de um artigo sobre o assunto (do ponto de vista não muito clínico, claro)

    ResponderExcluir
  2. Mírian Palha Dias Parente30 de julho de 2011 17:13

    Laís, obrigada por contribuir com um artigo sobre um assunto tão relevante que é a Terapia da Dignidade. Espero que venham outras colaborações... Abraços.

    ResponderExcluir